sábado, 29 de agosto de 2009

O Cérebro de um Jazzista, avaliado digitalmente

O debate da CBN Curitiba deste sábado, 29/08. foi sobre "como usar bem seu cérebro", que você pode ouvir clicando aqui. Estava ladeado por duas feras em cérebro, o neurocirurgião Luiz Ernani Madalozzo, e o neuropediatra Nelson Guerchon, com a provocante moderação do Álvaro Borba. Aprendi muito!

O debate foi tão envolvente e com tamanha participação de ouvintes que acabei não podendo falar do tópico que agora posto aqui no blog, o estudo feito na escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, sobre o cérbro de um músico de jazz quando está tocando e, especialmente, quando improvisa.

Esse tema cabe no blog por dois motivos: (a) ele foi baseado em dados de um aparelho de resonância magnética funcional, um computador extremamente sofisticado (a sigla é fMRI) que (b) estava grudado nas cabeças de músicos fazendo improvisações jazzísticas (é que eu gosto muito de jazz...).. Se você clicou no link do estudo, você acessou o artigo original. Mas aqui eu vou resumi-lo e elaborar um pouco sobre o mesmo. As conclusões em itálico são minhas, como especialista em tecnologia digital e fã de jazz.

Uma dupla de pesquisadores americanos, um da Universidade Johns Hopkins (este também um jazzista) e outro do governo, descobriram que quando os músicos improvisam, seus cérebros "desligam áreas ligadas à autocensura e à inibição e liberam o fluxo de auto-expressão".

O interessante do estudo são as conclusões sobre as possíveis alterações durante o estado de quase transe que os músicos entram na fase do improviso espontâneo. Seis diferentes pianistas de jazz fizeram suas artes em um teclado especialmente projetado para evitar interferências do fMRI, todos dentro de um mesmo roteiro, gerando uma boa amostra para a pesquisa. É, os temas e a sequência de quatro exercícios foram iguais para os seis músicos, mas os improvisos diferentes, claro!

O pesquisador/músico Dr. Charles J. Limb faz um comentário interessante, ao dizer que
"... de repente, o músico está gerando música que nunca antes foi ouvida, pensada, praticada ou tocada..."

Eu não entendo muito de anatomia cerebral, mas a parte frontal do cérebro desses músicos - o cortex pré-frontal dorsolateral, no jargão médico- teve sua atividade reduzida durante os improvisos. É essa a área ligada à auto-censura, como quando você vai medir cuidadosamente as palavras durante uma entrevista para avaliação de desempenho no seu emprego, por exemplo. Se essa área está inibida, seus atos nem tanto.

De outro lado, o cortex medial prefrontal cortex teve sua atividade aumentada. É essa parte do cérebro que tem a ver com a individualidade.

Como o perfil de atividade cerebral dos músicos foi semelhante, um melhor entendimento dos comandos do cérebro foi possível, usando uma gostosa experiência uunindo tecnologia digital, medicina e música.


Os detalhes desse estudo podem ser conferidos no artigo original, e mais nos links abaixo:

http://hopkinsmedicine.org/otolaryngology/limb.html
http://www.hopkinsmedicine.org/otolaryngology/
http://www.peabody.jhu.edu/
http://www.peabody.jhu.edu/jazz

Mas, aqui o blog é de tecnologia, então eu faço a reflexão sobre os avanços da tecnologia digital, todas concebidas com o engenho decorrente dessa maravilha que é o cérebro humano, que nos permitem conhecer melhor o cérebro e todo o resto do corpo humano. Com aparelhos cada vez mais sofisticados, entenderemos cada vez melhor o cérebro, e isso pode resultar em melhores diagnósticos e melhores e mais precisos procedimentos médicos.

Mas parece óbvio que jamais chegaremos a entender tudo. E a máquina, por mais poderosa que seja, jamais chegará à perfeição do cérebro humano. Sem mais elaborações filosóficas...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Banda Larga: essa velocidade contratada é real?

Você já percebeu como a internet anda lenta, mesmo com a super banda larga que você contratou? E que ela se parece com o trânsito da cidade às 6 da tarde de um dia de chuva? Já ouvi até comentários do tipo "ai que saudades da internet discada!". E aí, que fazer?

Na verdade, a maioria dos serviços de internet banda larga oferecem uma velocidade nominal, com a capacidade da conexão e do modem de chegar, no mínimo, à velocidade de referência. Mas, na prática, o que acontece é que você terá uma velocidade de download máxima por volta de 70% da velocidade nominal e a de upload metade disso. Traduzindo: Se você contratou um serviço de 3Mb, por exemplo, deve se contentar em ter uma velocidade de download perto de 2Mb e de upload de 1Mb, quando as condições de tráfego dos pacotinhos estiver boa.

Picaretagem? Não... você não deve ter lido -como a imensa maioria dos internautas- o contrato de adesão. A velocidade da banda não é garantida para a maioria dos acessos contratados. Aliás, se você quer banda com velocidade e disponibilidade garantidas, você vai pagar um preço bem maior. Os provedores que trabalham com esse conceito oferecem um contrato de SLA (Service Level Agreement, ou Acordo de Nível de Serviço), onde esses parâmetros têm garantia assegurada dentro do que você estabelece com o fornecedor.

Mas e aí, não posso contratar uma banda "mais larga" sem garantia e ter a velocidade que quero? Em tese, sim, mas na prática, bem na hora que você quer baixar aquele vídeo ele vai engasgar, pois o tráfego está pesado e você não tem aquela via exclusiva de quem tem a banda garantida. Exatamente como no trânsito urbano...

Existe um programa para Windows que é o DU Meter, que serve exatamente para o internauta gerenciar a conexão de internet.

Sua tela apresenta relginhos que mostram a velocidade da conexão de downloads e de uploads, como no painel de um carro. E como opera em tempo real, você terá sempre uma idéia de como vai seu tráfego na internet.

Como ele é um programa shareware, você tem um período de avaliação gratuito, mas o suficiente para avaliar sua conexão e rever seu contrato com o provedor, eventualmente. Se quiser mantê-lo permanentemente, deve pagar uma taxa de aproximadamente US$ 25,00, que pode ser debitada em seu cartão de crédito.

É interessante a funcionalidade que mede o consumo da banda de internet. Outro recurso é o da análise do perfil de sua navegação na internet e fornece uma previsão do consumo de megabytes baixados durante cada dia da semana. Isso é útil se você tem um contrato que dá um limite de consumo em um dado período.

Se quiser avaliar/comprar o DU Meter, clique aqui.

Mas você pode também otimizar seus downloads da internet, coisa que consome muito de sua banda. O Orbit Downloader é um programinha gratuito que otimiza e divide o arquivo a ser baixado em pedaços menores faz com que a velocidade aumente de 40% ou mais, especialmente em downloads maiores.

Ele tem uma funcionalidade interessante que é o agendamento de downloads, que podem ser feitos fora do horário de sua navegação, ganhando tempo para seu sono, por exemplo. E ele tem a funcionalidade de baixar vídeos do YouTube e do Google Videos, de você pretende armazená-los em casa.

Então, resumindo:

1- Leia seu contrato de adesão ao provedor de serviço de acesso antes de reclamar;
2- Monitore a velocidade de seu acesso
3- Otimize seu tempo de uso da internet e de espera por downloads/uploads

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Bateria do iPhone: Meia Boca

Antes de mais nada, declaro ser um fã de carteirinha da Apple e do Steve Jobs. Já fui até rotulado de "Comentarista Sectário", por só falar bem dos produtos e da tecnologia da Apple.

Pode ser, mas é fato que a Apple torna seus produtos e serviços únicos no mundo, por ter um apelo de beleza, praticidade, funcionalidade e, sobretudo, charme, muito charme.

Na safra recente dos Mac, iPod e iPhones, é uma boa surpresa atrás da outra - ou quase - mas o iPhone 3G, o mais vendido de todos os smartphones nos ultimos 12 meses, tem um ponto fraco: a duração da bateria.

Em uso normal, ela precisa ser recarregada diariamente, lembrando os nada saudosos tempos do celular analógico. Não por acaso, os acessórios que mais fazem sucesso, depois das capas de silicone são os carregadores de bateria para carro e as "piggyback batteries" uma delas no formato de uma capa, um pouco mais grossa e pesada, mas que dá mais algumas dezenas de minutos de autonomia.

Já ouvi o argumento que, afinal, o iPhone não é apenas um celular ou mesmo um smartphone. Na verdade, é uma nova e completa plataforma digital, um verdadeiro canivete suiço da era da internet. Tudo isso é verdade, mas nos concorrentes que emulam o iPhone, a bateria é mais durável.

Já li que o sistema operacional 3.0 do iPhone deveria ser mais econômico no consumo de energia (versão da Apple), mas os usuários, de modo geral, seguem se queixando, do mesmo jeito.

No meu caso, vou trocar a bateria do meu antes mesmo de um ano de uso. E o "saco" é ter de levar na autorizada para fazer essa operação simples em qualquer outro aparelho, pois, no caso do iPhone, leigos não podem abrí-lo nem mesmo para instalar uma simples bateria.

Provavelmente terei uma surpresa quanto ao preço... Mas será menos ruim do que a que ouvi de um vendedor em uma loja da Apple, que me recomendou usar o iPhone mais como telefone e a desabilitar as funções 3G e WiFi, que a bateria duraria mais.

Pode ser, mas assim eu não preciso do iPhone. E a Apple não pode se dar ao luxo de ter vendedores que pedem para você não usar o aparelho para aquelas funções que fazem do iPhone um produto diferenciado nesse tão competitivo mercado.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Reinventando Profissões na era da Gripe A

Leio que o consumo de combustível caiu 30% em relação a iguais períodos anteriores, por conta da Gripe A. Ou seja, o ar que respiramos, o (des)aquecimento global e até o tempo que não desperdiçamos agradecem.


Não seria o caso de tentarmos reinventar algumas profissões que podem dispensar deslocamentos, ou, em outras palavras, aproveitar a deixa da gripe A e dar uma de buscar benefícios?

Dois motivos impedem que avancemos nesse tópico, nenhum deles imexível, como diria o Magri. O primeiro tem a ver com a própria acomodação do ser humano a situações de conforto. "Sempre foi assim" e pronto! O outro é nossa arrastada e tabugenta* CLT, que dificulta o trabalho em casa.


Há pouco, postei no meu Twitter a seguinte reflexão: Cúmulo do desperdício: sair de casa aqui, outro sai de casa em SP, cada um vai ao escritório para conversar pelo Skype: Aquecimento global

Quantos de nós fazemos tarefas que implicam em deslocamentos desnecessários, que consomem boa parte de nosso tempo, de nossa paciência e, por que não, de nosso suado dinheirinho?

Vou chutar, sem medo de estar errando por muito, que 80% ou mais de todas as tarefas internas de um escritório não precisam de presença fisica, em tempo de internet, de "cloud computing"... Hein? Hein? Basta usar com intensidade e sem preconceitos essas tecnologias digitais que tanto aplaudimos, mas no formato e com as premissas do século atual.

Acho que vou mandar esse link para os congressitas do Paraná. Numa dessas, algum deles propõe a boa discussão, e, de for viável, emplacamos um bom benefício da tal da Gripe A. Antes que venha a Gripe B, a Gripe C... (ou as eleições de 2010)

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*tabugenta: neologismo criado aqui de meu home-office. Fusão de tabu com rabugenta. Para mim, dois atributos de nossa CLT. Talvez a Gripe A nos dê o impulso necessário a modificá-la nesse tópico. Alguém no Congresso de habilita?

Gripe A: Fique em casa, e... curta as crianças

Em tempos de gripe A, aulas suspensas, a criançada em casa, fora de período de ferias... Isso pode ter dado um nó em sua organização diária, especialmente se mãe e pai trabalham o dia inteiro.

O que fazer com a turminha, em especial aquelas até 5, 6 anos? Pois bem, em vez de deixá-los passivamente vendo TV, que tal fazê-los aprender coisas úteis e, ao mesmo tempo, ter um pouco de boa diversão interativa?

Um jeito fácil é usar sua conexão à internet para acessar os principais canais infantis, alguns com conteúdo interativo muito interessante. E, mais do que tudo, a meninada vai se identificar com seus personagens favoritos, enquanto aprende, usando a internet e o computador, ferramentas naturais para essa geração.

Dentre os de melhor conteúdo, destaco os seguintes:

Discovery Kids
Cartoon Network
Boomerang
Disney
Disney XD
TV Cultura

Alguns deles têm conteúdos que pecam pela tradução, ou até mesmo são um pouco alienígenas para nossa cultura, mas é inegável que podem entreter e ensinar.

Particularmente eu gosto muito da Discovery Kids, ou melhor, minha neta gosta muito, e eu fico positivamente surpreso pelo conteúdo bem produzido, de bom apelo, com um excelente didática, que deixa a criançada plugada em coisa produtiva, no modo interativo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Microsoft + Yahoo! = Consolidação King Size

O anúncio de cooperação entre Microsoft e Yahoo! marca a capitulação de dois gigantes do mundo digital ante o novo rei, o Google. Embora nenhuma das duas empresas tenham inventado nada de novo, foi a Microsoft que liderou o boom da computação pessoal e o Yahoo! que popularizou a busca de informações na internet.

Cada uma a seu tempo e a seu jeito, Microsoft permitiu a massificação do computador pessoal primeiro com o MS-DOS e depois com o Windows; o Yahoo! transformou a busca na internet de uma tarefa de apoio em big business.

O que ocorreu em 29 de julho passado foi o anúncio de que a Microsoft passa a administrar os serviços de busca do Yahoo!, muito embora aquela tenha lançado há poucas semanas o Bing, como "novo" e "revolucionário" mecanismo de busca.

O fato é que os anúncios feitos pelas empresas causaram pouca surpresa, e pareceram algo até envergonhado, conforme podemos ver nos links acima.

Bem contado, não devemos esperar grandes novidades. As ações do Google na bolsa pouco se mexeram, e o mundo digital segue seu curso normal, buscando no Google e usando os sistemas operacionais e aplicativos da Microsoft, ao menos por enquanto.

É duvidosa a estratégia dessa união de interesses, pois é pouco provável que a Microsoft consiga injetar adrenalina nas buscas do Yahoo!, visto que está às voltas com a sucessão de seu pesado e mal sucedido Vista para o Windows 7, e defender sua fonte primária de lucros parece ser sua prioridade número 1.

Do lado do Yahoo!, focar na ampliação de renda e rentabilidade com anúncios online não parece tampouco algo viável, pois a empresa vai carecer de uma base de receita para alavancar novas formas de negócios.

O mais provável é que, num futuro não distante, haja uma efetiva fusão das empresas, ou uma aquisição pura e simples do Yahoo! pela Microsoft, mas sem gerar muita sinergia.

Vamos esperar para ver, mas esse negócio parece que gerou mais espuma do que onda.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Da Inutilidade das "Exclusividades" no Mundo Digital

Deu no G1: Hacker de 19 anos desbloqueia o novo iPhone 3G S da Apple
Jovem anuncia quebra duas semanas após lançamento do smartphone.
George Hotz já havia sido primeiro a quebrar código do iPhone em 2007


Ou seja, com toda a tecnologia do mundo, a Apple não conseguiu deixar fechado o novíssimo iPhone 3GS, apenas duas semanas depois de seu lançamento nos Estados Unidos. Repete-se a cena do iPhone original e do 3G. Só que esse do 3GS levou menos tempo. E o menino agora já tem 19 anos, em vez dos 17 anos dos tempos do iPhone original.

O aparato para burlar essas restrições visando -no caso- privilegiar acordos comerciais com uma ou várias operadoras é modesto: um computador com acesso à internet, uma bancadinha com alguns aparelhos eletrônicos para ler e gravar chips e um pouco de disposição.

Vale, no caso, mais os 15 minutos de fama do jovem Hotz e sua satisfação de ter quebrado a segurança da poderosa Apple do que eventuais retornos financeiros. Afinal, o iPhone desbloqueado não vai ter vantagens nem subsídios com outras operadoras. logo não é um 'deal' interessante para o usuário. Este vai se motivar para mostrar que pode também independer de amarras.

Mas o modelo proprietário da Apple segue vitorioso. Por exemplo, aqui nas nossas bandas, é proibido comprar músicas e vídeos no iTunes, salvo se você tiver uma conta e um endereço postal nos países que são escolhidos pela empresa como 'sérios'.

Mas o moço já deve ter seu futuro assegurado, se quiser. Provavelmente ele está sendo assediado pela própria Apple ou por concorrentes para trabalhar em troca de um polpudo salário e, quem sabe, até o caro custeio de uma universidade de primeira linha.

É assim que a tecnologia digital também avança. Através de hackers como George Hotz.

Abaixo as PPS!!!

Existe uma praga que assola a todos nós, que são as apresentações em PowerPoint, que junto vêm com o apresentador que dispensa o uso do programa e, por terem a extensão .pps são chamadas gerericamente de PPS.

Sem confundir com o partido político de mesma sigla, as PPS (aresentações) na internet são hoje uma praga aparentemente incontrolável. Embora existam muitas que são lindas e bem montadas, ainda por cima com bom conteúdo, muitos internautas, ao receberem as PPS em suas caixas de correio já as encaminham direto para seus grupos de discussão e para seus contatos de e-mail.

Tem um cara que me manda umas 30 PPS por dia! Isso mesmo, POR DIA... Se eu fosse ver todas, gastaria boa parte do meu tempo com inutilidades, e estaria lotando minha caxa de correio.

O que eu faço é colocar essa gente com PPS-mania na minha lista de spam, se não os conheço. Caso sejam pessoas de meu relacionamento no mundo real, mando uma mensagem educativa e educada.

Lembrando que uma PPS que se preze nunca tem menos de 1MB, então só esse cara que me persegue (e a todos os de sua lista), ele manda por dia um mínimo de 30MB. Isso, somado aos milhões de pessoas como ele (sim, é um marmanjo...), aí deve ter alguns pontos percentuais de tráfego inútil de dados na internet.

Como a rede é livre, não é tarefa trivial eliminar essa praga. Mas, numa dessas, quem sabe podemos começar um movimento ”ABAIXO AS PPS!!!”, que, no caso, não tem nada a ver com o partido político PPS.

Se começarmos a bloquear essas apresentações inúteis que recebemos, numa dessas, voltamos a acreditar que o correio eletrônico é uma ferramenta viável. Eu ando meio cético...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Você usa Utensílios Duros ou Utensílios Moles?

O Governador do Paraná sancionou uma lei que obriga a tradução de todos os termos estrangeiros para português claro, nas peças de publicidade que sejam veiculadas no Estado.

Como blogueiro de tecnologia, fico imaginando a dificuldade de impor essa lei, diante de tantos termos consagrados (o menor dos problemas), da força de determinadas palavras no dia-a-dia (em especial na área de tecnologia) e, mais do que tudo, como impor uma lei local em cima de publicidade global da internet.

Acho que a lei não pega, não sem antes incomodar algumas agências e alguns comerciantes. Mas, enquanto ela está fresquinha em vigor, permito-me sugerir algumas equivalências de termos em português para as palavras que usamos mais frequentemente no ramo:

Hardware, por exemplo, pode virar Utensílio Duro; Software, em contrapartida, seria um Utensílio Mole; Mouse, por óbvio, fica sendo Camundongo, Rato; Internet vira uma sigla como Rede Entre Muitos Computadores (REMC); o popular Windows já deveria ter virado Janelas há anos; o Touchscreen de seu Smartphone passa a ser a Tela de toque de seu Telefone Esperto...

E por aí vai.

E cuidem para não comprar nada, absolutamente nada, em uma sale com 70% off, pois você pode estar sendo conivente com uma infração à lei.

Devemos ter muitos outros termos tecnológicos que mereçam tradução para ficarem enquadrados na lei.

Aguardo sugestões!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cloud Computing: Nuvens de tempestade sobre o mundo dos computadores

A aparente calmaria do mercado de computadores, sem grandes lançamentos e novidades, a pouca excitação em torno da chegada do Windows 7, é, no meu entender, o prenúncio da chegada para valer da computação em nuvem (cloud computing), onde o sistema operacional pesado, os aplicativos e até mesmo os arquivos saem do computador pessoal e vão para servidores remotos, no conceito de "nuvem".

Mais do que uma tendência da moda, o modelo de cloud computing mostra a exaustão do modelo de manter milhões (na verdade, bilhões) de computadores com sistemas operacionais que precisam guardar compatibilidade entre si, aplicativos que precisam ser compatíveis com versões anteriores e todo o acervo do conhecimento do indivíduo armazenado digitalmente, raramente de forma organizada.

A Microsoft, a Apple e até mesmo o Google, como os conhecemos hoje, passarão por uma profunda transformação nos próximos anos. Mas somos nós, usuários, que teremos que nos acostumar com o novo modelo, queiramos ou não.

Vejamos o caso do Windows: a Microsoft reconhece os problemas de seu carro-chefe, o Vista, pesado demais, lento demais, com problemas demais. Tanto assim que antecipou o lançamento de seu sucessor, o Windows 7, para setembro agora, prometendo um sistema operacional mais leve, mais rápido, mais confiável. Ao mesmo tempo, deu sobrevida ao vetusto Xp, hoje dominando 95% do mercado emergente dos netbooks.

Erro de avaliação do Vista? Nada disso... Ocorre que o sucesso do Windows, hoje em mais de 90% dos computadores pessoais, obriga a Microsoft a ficar com um olho no retrovisor, para manter o legado de aplicativos e arquivos gerados em versões anteriores, seja no mundo corporativo, seja no mundo doméstico.

A Apple, rejuvenescida com os fenômenos iPod/iPhone, e com os surpreendentes designs dos novos Macintosh, fornece um sistema operacional robusto, rápido e muito esperto, o OS X Leopard, mas que também trava, e é totalmente proprietário, mantendo essa linha em um nicho de mercado, um belo nicho, o que mais margens dá a indústria.

O mundo do software livre, com todos os descendentes do Linux, oferece distribuições de sistemas operacionais super estáveis, muito parecidos com o Windows e o Leopard, no seu visual e na sua ergonomia, mas, mesmo assim, não decola em vendas.

Na verdade, o que vem atravancando o crescimento explosivo do mercado de computadores é exatamente o combo hardware/sistema operacional/programas aplicativos/arquivos, como o conhecemos hoje, onde tudo, ou quase, reside no computador.

Manter esse formidável acervo, hoje medido em terabits para um usuário normal não é tarefa simples, e o peso da idade desse modelo parece evidente, ao menos agora que há a opção da "nuvem", tornada possível com a internet de banda larga e os serviços oferecidos pelo mercado.

Para quem usa o MobileMe, da Apple, com todas as suas limitações, já se dá conta dessa facilidade, ao poder compartilhar em tempo real de dados entre dispositivos como um PC, um Mac, um iPhone e um iPod. E tudo isso a um custo que começa a ser razoável, especialmente se levarmos em conta aquilo que fica armazenado e protegido na nuvem.

À medida em que a disponibilidade de banda [cada vez mais] larga se acentua, mais o modelo antigo de armazenagem local perde o sentido, salvo talvez como cópia de segurança, ou para eventuais trabalhos off-line, mas sempre com a possibilidade de sincronia total entre os dispositivos.

Esse é outro motor da inevitável mudança de paradigma: hoje em dia, é muito comum o indivíduo tem mais de um dispositivo digital para acessar os mesmos dados e aplicações. Manter a compatibilidade entre os dados disponíveis em diversos aparelhos é uma das tarefas que a computação em nuvem pode ajudar a resolver.

E isso significa o fim da Microsoft, da Apple, do Google? Ao contrário, pode ser uma oportunidade. O Google já anuncia a disponibilização de seu sistema operacional, o Chrome OS, já voltado à computação em nuvem, e com todos os aplicativos normalmente usados por 99% dos mortais devidamente depurados por alguns anos de uso.

O que acontece é que essas e as demais empresas terão que se adaptar à nova realidade. O exemplo da Apple que se reinventou com seus dispositivos portáteis e com o iTunes é marcante. Ela própria vai ter de dar novas guinadas, sem falar na Microsoft, a maior do segmento de software e a mais dificil de mudar, por conta de sua carteira de sucesso, e o mais novato Google, fenômeno de uma década de existência.

Pode ser que os próximos anos tragam à tona novas empresas com novos conceitos, nascidas sem legados de sucesso, mas capazes de crescer para ocupar novos e inéditos espaços.

No passado, era impossível falar de TI sem falar da IBM. Ela, quase centenária, está lá quietinha, do topo de seu ranking de maior empresa de TI do mundo, sempre se reinventando. É possível que o mesmo aconteça com as outras gigantes do setor. O tempo dirá...